Estudos e Projectos
Estruturas museológicas, desenvolvimento, envolvimento e participação local: uma aproximação a alguns casos portugueses
Data
abril de 2007Publicação
Actas das IX Jornadas do Departamento de Sociologia da Universidade de Évora "Transpondo Fronteiras"Editora
Departamento de Sociologia da Universidade de ÉvoraISBN
Esta comunicação pretende discutir a pertinência e a atualidade das novas abordagens ao de intervenção museológica nas últimas décadas do século XX. Numa primeira parte, centramo-nos na importância que estas novas abordagens que atribuem à abertura do espaço museológico à comunidade, capaz de incorporar as suas experiências, conhecimentos e tradições, ao mesmo tempo que confere aos atores sociais locais um papel ativo de efetiva intervenção e participação no processo de construção do museu, contribuindo deste modo para que a apropriação do museu pela comunidade. Salienta-se como um dos aspetos mais inovadores e diferenciadores desta proposta conceptual e metodológica o facto de se atribuir aos habitantes locais e à sua cultura a primeira e principal preocupação do museu - eles são, simultaneamente, o seu principal público e o principal dinamizador - assumindo a estrutura museológica então um enorme potencial enquanto fator de promoção da cultura local e regional, numa lógica de desenvolvimento integrado e de coesão social, procurando garantir a sustentabilidade territorial futura, introduzindo elementos de valorização e de diferenciação. Num segundo momento, abordam-se algumas experiências de trabalho da Quaternaire Portugal em que se procurou desenvolver este tipo de abordagem museológica, acreditando que a partir deste conjunto de reflexões poderemos retirar alguns ensinamentos pertinentes, numa lógica de estudo de caso. Neste sentido, pretendemos abordar alguns aspetos especialmente pertinentes e inovadores das propostas elaboradas para a criação de unidades museológicas em Almoural (Museu do Tejo), S. Pedro da Cova (Museu Mineiro), Montalegre (Ecomuseu do Barroso), Viana do Castelo (Museu do Trajo) ou na Afurada (Museu da Afurada), designadamente, na abordagem desses espaços como espaços de formação, espaços de representação identitária, espaços de valorização de recursos e património, espaços de concertação e cooperação interinstitucional, espaços de participação e cidadania e espaços de inovação e de mobilização de novas atividades. Em suma, destaca-se o caráter multidimensional desta nova abordagem metodológica, conferindo-lhe uma natureza exemplar em termos das relações entre património e desenvolvimento, permitindo-lhe assumir um papel motor de diferentes componentes da realidade regional presente, partindo da diversidade de recursos e de atividades que possa integrar – recursos naturais, recursos culturais, património edificado e habitat, saberes-fazer tradicionais, capacidades de inovação, atividades a promover e serviços a prestar.



